Ai, que laços são esses
Feitos de sangue e metal
De rubra cor e tormento
Que obrigam a unir
Pessoas de diferentes sentimentos
Que unem e ligam
Sem nunca compreender
Que deliberam posse
Sem perguntar
Sem querer
Ou sem amar
Amarrando pessoas por amarrar
Ligando por ligar
Sem saber
Deixando-as juntas
Enjauladas
Em cadeias de DNA
Que de relações e sentimentos
Sabem de nada
Se, tem algo que não gosto de comentar com outras pessoas é sobre minha família, acho que algo muito particular e estreito. Mas por outro lado, também não gosto de falar do assunto, pois sempre acabo por invejar as famílias de alguns outros ou sentir a mesma repugnância que sinto pela minha.
M questionei consideravelmente se deveria vir nas férias par ver minha família, ou inventar alguma desculpa qualquer e ficar sozinho na paz e no silencio a auto-convivência, acabei vindo, mas não pensando nas pessoas da família como algo principal e sim em outros objetivos e pessoas, e amigos.
Sinceramente, de tudo que eu passo, de todas as pessoas que convivo, as que mais me irritam são a minha família. Desde pai, mãe, avó, tios... Sempre eles. Sempre com os mesmos atos, as mesmas falas, as mesmas comparações, as mesmas irritações, a mesma mania de sempre de querer interferir, comentar, e se envolver nos atos que são apenas meus. Sempre querendo interferir com seus dedos xeretas, por se dizer da família, naquilo que apenas pertence a mim.
É opinar e interferir e talvez até mudar uma escolha que é minha de algo que só compete a mim, é reclamar dos meus atos e comparar com outros, é querer dizer o que é melhor pra mim e achar que me conhece melhor que qualquer pessoa, só por que compartilho do mesmo laço sanguíneo... Absurdo! Mal sabem que são eles aqueles que mais me desconhecem. E como é leviano e fraco esse laço feito em sangue... Muito mais forte é aquele feito com sentimentos e de longa conquista.
Sinceramente, às vezes sinto vontade de ter um surto e dizer a todos as verdades de mim e deles, ser realmente grosso, estúpido e bruto...
Por isso prefiro a existência solitária do meu quarto entre as paredes que ecoam apenas pensamentos e vozes vindas de músicas e texto, enquanto fujo num riscar de lápis e cores sobre papel para um mundo apenas meu. Do que ficar com a pseudo agradável conversa forçada entre a família que se reúne quase que obrigatoriamente por esse tal laço e sangue que parece mais querer sufocar do que unir.
Às vezes acho que ficaria feliz de saber que sou adotado... Pelo menos explicaria o motivo da minha tão grande diferença de ser de pensar e agir. E não, não quero ser como eles, nunca...
Não... Não odeio minha família, mas às vezes eles me estressam muito...
Aos amigos de verdade abraços sempre!
E aqueles que tem uma família de verdade que se une em laços de afeto, não apenas pelo sangue, aproveitem bem!
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